Ou menos tiveram uma boa ideia para promover os produtos e os levar mais além que o interior. Fruta da região na Linha da Beira Baixa RTSE e CP promovem “Semana da Serra da Estrela” | ||
A fruta desta época da Cova da Beira, como o pêssego, a nectarina e ainda algumas cerejas, vai ser distribuída aos passageiros do Intercidades da Linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e Lisboa (e vice-versa).A “Semana da Serra da Estrela” começa esta sexta-feira e prolonga-se até 16 de Julho e resulta de uma parceria entre a Região de Turismo da Serra da Estrela (RTSE) e a CP – Caminhos de Ferro de Portugal, para promover os produtos endógenos da região e, ao mesmo tempo, «o reforço que foi feito na Linha da Beira Baixa», explica Jorge Patrão, presidente da Região de Turismo da Serra da Estrela. | ||
Recorde-se que a CP reforçou a ligação entre a Covilhã e Lisboa com mais um comboio por dia e reduziu o tempo total da viagem em cerca de 15 minutos. Os passageiros do Intercidades têm desde Abril último três comboios por dia na ligação Covilhã- Lisboa (e vice-versa), desde o início da manhã, ao meio do dia e ao final da tarde. Uma ligação que serve também o Fundão e Castelo Branco. A CP quer que o comboio seja um veículo privilegiado nesta época e para isso até já lançou a campanha “Viaje em Alta na Linha da Beira Baixa”, que vai decorrer até 7 de Agosto, proporcionando vários descontos nos bilhetes. Para além do conforto, as viagens terão durante uma semana outro sabor com «a melhor fruta da Cova da Beira». «Somos das principais regiões frutícolas do país. A Serra da Estrela é, sem dúvida, a melhor do país em termos de variedade e qualidade», aponta Jorge Patrão, afirmando que «isso tem que ser promovido e divulgado». Os frutos da época vão ser cedidos pela Cooperativa dos Fruticultores da Cova da Beira e pela Quinta dos Lamaçais. A iniciativa vai ser apresentada oficialmente no início da tarde de amanhã, na estação de caminhos-de-ferro de Portugal. Com esta iniciativa, a RTSE pretende informar os passageiros do Intercidades que a região não é apenas um destino de Inverno e de neve. A Serra da Estrela é também um excelente destino turístico durante o Verão, com locais para visitar e produtos para degustar. Assim, e para além da fruta, os passageiros serão ainda informados sobre os vários locais e actividades que podem visitar esta época no Verão. É o caso das Rotas dos 20 Castelos, dos Descobridores, das Antigas Judiarias, da Lã e do Rio Mondego. Percursos histórico-cultural que incluem ainda museus, património e monumentos, entre outros. Paralelamente, a RTSE irá ainda fornecer informação sobre «os vários tipos de alojamento hoteleiro da região. A Semana da Serra da Estrela será também alargada, posteriormente, à Linha da Beira Alta, prevendo-se a promoção de outros produtos, como os vinhos, os enchidos e o queijo, entre outros. | ||
| 05-07-2007 | LC | KA |
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Fruta da região na Linha da Beira Baixa
Bombeiros em Santa Bárbara de Nexe até Setembro
O protocolo vigora de 16 de Junho até 30 de Setembro e pretende dar mais segurança às populações, no que respeita a uma intervenção rápida em caso de incêndio.
Santa Bárbara de Nexe é uma zona onde o risco de incêndio nos meses de maior calor é elevado, “sobretudo a norte da freguesia”, como explica a Junta de Freguesia em comunicado.
Como causas para o crescente risco de incêndio, a Junta aponta as “políticas de desinvestimento na agricultura, sobretudo a de sequeiro, levando ao abandono dos terrenos e consequente desertificação com o inevitável crescimento de mato onde podem grassar os fogos”.
As “políticas erradas de Ordenamento do Território, como é o caso do PROTAL”, são outro dos motivos apontados por impedirem a construção e originarem o abandono dos terrenos classificados como reserva agrícola originando “a desertificação que é a causa directa dos incêndios nesta região”. Observatorio do ALgarve
PRÉSTIMO TEME DESERTIFICAÇÃO E APELA AO NÃO ENCERRAMENTO DA ESCOLA
PRÉSTIMO TEME DESERTIFICAÇÃO E APELA AO NÃO ENCERRAMENTO DA ESCOLA
por SP em Julho 25,2007
Noticias Relacionadas
Não existem notícias relacionadas a este assunto
O Préstimo acolheu, a 20 de Julho, a 19ª. Câmara Aberta. A comitiva visitou alguns dos lugares dispersos na serra e ouviu apelos dos autarcas e população, para que a Carta Educativa seja alterada, evitando o encerramento da única escola do 1º. ciclo da freguesia, em Á-dos-Ferreiros.A visita ao Préstimo foi acompanhada pelos vereadores e autarcas da freguesia. Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal, não compareceu por se encontrar em Lisboa, em reunião no Ministério da Justiça.
A escola foi o primeiro local visitado. Dárcio Tavares, presidente da Junta de Freguesia, mostrou uma a uma, todas as salas do jardim-de-infância e do 1º. Ciclo, remodelada há cerca de três anos, e sublinhou as excelentes condições do estabelecimento de ensino - que tinha afixado nas portas das salas os nomes das crianças que as frequentam.
O autarca fez questão de sublinhar que os cerca de 20 alunos por sala eram não só da freguesia, mas também das vizinhas Talhadas (Sever do Vouga), Valongo e Águeda. Apenas pediu um resguardo que evite as crianças de se molharem em dias de chuva e mostrou um terreno junto à escola, propriedade da Câmara, onde deseja construir um pavilhão desportivo.
Préstimo apela à
sensibilidade da Câmara
Dárcio Tavares não quis alongar-se muito sobre a Carta Educativa apresentada há cerca de dois meses. "Ouvi o senhor presidente da Câmara, fiquei com a ideia que irá ser revista e como conheço bem a sua sensibilidade, sei que é pessoa de bem, acredito na sua justiça", disse o autarca do Préstimo.
Mário Dias, ex-presidente da Junta de Freguesia, também se referiu à Carta Educativa, considerando que "está a preocupar a freguesia do Préstimo" e acrescentando que "deve ser um elemento para o bem-estar do concelho de Águeda".
"Os Pólos Escolares traduzem uma linha Norte-Sul que esquece uma parte do litoral e a zona serrana", disse Mário Dias, apelando para que «o executivo melhore o documento" e lembrando que em Á-dos-Ferreiros andam alunos de freguesias vizinhas. Concluiu: "A Câmara terá de enveredar por mais três Pólos Educativos". Soberania do Povo
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Só os concelhos de Chaves e Vila Real contrariam a tendência
Só os concelhos de Chaves e Vila Real contrariam a tendência
Distrito está cada vez mais deserto e envelhecido
Os números voltam a traduzir uma realidade preocupante para o distrito de Vila Real. Além de continuar a perder população, o número de idosos também tem vindo a aumentar. Os concelhos de Chaves e de Vila Real são os únicos que contrariam esta tendência, revelam dados do Centro Regional de Segurança Social.
De acordo com dados do Centro Regional de Segurança Social de Vila Real, nos últimos 40 anos, o distrito de Vila Real perdeu 40 mil habitantes, um número que prova que a desertificação é um problema cada vez mais grave e que tem de ser combatido. No ranking dos municípios mais despovoados estão Boticas e Montalegre, que apresentam uma densidade populacional de apenas 18,7 e 14,9 habitantes por quilómetro quadrado, respectivamente. No entanto, existem alguns concelhos que têm uma média mais positiva. É o caso de Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Mesão Frio, que têm 142 habitantes por quilómetro quadrado, estando assim bastante próximos da média do resto da região Norte do país, que é de 175,6. Mesmo assim, os únicos municípios que têm vindo a contrariar a tendência do distrito, ou seja, aqueles que tem ganho população nos últimos vinte anos, são os concelhos de Chaves e de Vila Real. Aliás, Chaves consegue mesmo superar a média de crescimento do Norte do país, que é de 1,9 por cento nos últimos dez anos, enquanto que o município flaviense tem uma taxa de crescimento de 2,2 por cento. Quanto à capital de distrito, nos últimos dez anos, conseguiu captar 1,5% de população. Estas duas cidades também foram as únicas a registar um saldo migratório positivo, que, mesmo assim, não conseguiu contrariar a tendência negativa no resto do distrito.Para além de poucos, no distrito a população está envelhecida. As estatísticas apresentam uma população cada vez mais idosa, sendo novamente os concelhos de Montalegre e de Boticas que apresentam a média mais preocupante, juntamente com Valpaços.Os dados, segundo o director da Segurança Social de Vila Real, Rui Santos, provam a necessidade de que “todos os responsáveis” tenham consciência que o “desenvolvimento nacional implica o desenvolvimento de todos e não apenas de algumas partes”. Para minimizar os efeitos da desertificação e do envelhecimento, bem como para apoiar a natalidade, a Segurança Social, só no nosso distrito, gasta uma média de trinta milhões de euros. O número de pessoas que recebe o chamado complemento solidário para idosos, por exemplo, é de 2.500. Semanário Transmontano
Data de Publicação: 26/07/2007
Artigo de: Sónia Domingues
quarta-feira, 25 de julho de 2007
“caminhadas pelo interior" com o objectivo de divulgar o interior esquecido.
Dia dos Avós celebra-se quinta-feira
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Autarca quer obras onde "não há gente"
O novo presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, José Brito, defendeu ontem uma inversão da lógica dos investimentos públicos em função dos potenciais eleitores, considerando que importa criar infra-estruturas "onde não há gente".
"Há que ter coragem para investir onde não há população. Se não travarmos a desertificação do interior, o litoral fica sem condições para as pessoas que ali se vão amontoando", declarou José Brito, dois dias depois de ter substituído Hermano Almeida na presidência daquele município.
Razões de saúde e algum "cansaço" das actuais políticas da administração central para as autarquias levaram o social-democrata Hermano Almeida a interromper o terceiro mandato consecutivo para que foi eleito pelo PSD, fazendo-se substituir na segunda-feira pelo vice-presidente, José Brito.
O Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Centro "pode perspectivar alguns investimentos significativos para a região do Pinhal", o que, na opinião de José Brito, constitui "uma oportunidade única de inverter esta situação de desertificação", através das verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
terça-feira, 17 de julho de 2007
Semana das Terras do Xisto com olhos no turismo
| Semana das Terras do Xisto com olhos no turismo Projecto engloba 24 aldeias do Pinhal Interior | |||
Passeios em barca pelo Rio Zêzere, aprender a tecer linho ou recolher mel de colmeias em casas temáticas, são algumas das actividades propostas para a Semana Cultural das Terras do Xisto, hoje apresentada no Fundão.Durante oito dias, de 21 a 28 de Julho, as aldeias da zona do Pinhal Interior do concelho do Fundão ganham uma nova vida com actividades culturais, desportos de aventura e animação de rua, abertas a todos os visitantes. Orçada em 20 mil euros, a Semana Cultural das Terras do Xisto, concentra em poucos dias nas aldeias de Janeiro de Cima, Bogas, Castelejo, Cabeço do Pião, Barroca e na vila de Silvares aquilo que a rede de Aldeias do Xisto oferece ao longo do ano. | |||
O projecto engloba 24 aldeias distribuídas por 14 municípios do Pinhal Interior, na Região Centro, onde estão em actividade "60 agentes privados, dos quais 13 se dedicam exclusivamente à animação turística", explicou Paulo Fernandes, responsável pela rede. Segundo referiu, "a Semana Cultural pretende atrair públicos cada vez mais atentos às actividades do turismo em espaço rural". "Para isso não basta ter as coisas, é preciso promover iniciativas como esta", sublinhou. Actividades da semana cultural Durante a Semana, todos os dias haverá visitas guiadas para grupos que queiram ver como se trabalha a apicultura (inclui visitas a colmeias) ou como se tece o linho, na Casa das Tecedeiras. Haverá diariamente animação de rua pelas aldeias, mostras de gastronomia local e passeios em barca pelo Rio Zêzere, entre outras actividades desportivas. A Semana é também pretexto para juntar a "Comunidade de Práticas das Aldeias do Xisto", um conjunto de artesãos seleccionados no âmbito do projecto "Lojas das Aldeias do Xisto", e que irão demonstrar e dar a experimentar a sua arte nas aldeias. O destaque da Semana Cultural é "uma criação encomendada especialmente para o evento, resultado de uma residência artística da Companhia de Teatro Váatão, na Aldeia do Xisto de Janeiro de Cima", refere Paulo Fernandes. O trabalho "Memórias de Xisto" foi feito com base numa recolha de histórias da população, a viva voz, que serão depois encenadas em diversos quadros num itinerário ao longo da aldeia. O espectáculo está agendado para dia 27, às 22:00, na aldeia de Janeiro de Cima. A Semana Cultural das Terras do Xisto é organizada pela Pinus Verde - Associação de Desenvolvimento, em parceria com as comunidades e associações locais. As Aldeias do Xisto são constituídas por 24 núcleos que ao longo dos últimos anos foram alvo de um programa de recuperação das tradições, valorização do património arquitectónico e dinamização das artes e ofícios tradicionais. KA | |||
| 17-07-2007 | Lusa | ||
PCP alerta para fecho de serviços de Saúde
“Nem Mentiras, Nem Desculpas” é a campanha que a Direcção da Organização Regional de Castelo Branco (DORCB) do PCP lançou no distrito para alertar os cidadãos para o risco do Governo encerrar alguns serviços de saúde durante o período estival. Para os comunistas, «há indícios» que os levam a crer que o Governo PS se prepara para levar a cabo algumas das medidas que vêm sendo anunciadas há algum tempo, nomeadamente o encerramento de uma maternidade no distrito de Castelo Branco. «O primeiro indício é o encerramento das urgências ortopédicas no hospital de Castelo Branco», disse Carlos Gonçalves, da comissão política do Comité Central e responsável pela DORCB do PCP.
«Há fumo no ar», alerta o comunista, que não duvida que algumas das «decisões que estão por implementar, nomeadamente a perda de valências hospitalares e o encerramento de uma das maternidades, podem acontecer no período de férias». Isto porque, tratando-se de uma época estival, seria uma forma de «surpreender e minorar a resposta das populações», adverte Carlos Gonçalves. Por isso, este é o tempo ideal para voltar a colocar o assunto na ordem do dia, de forma a «esclarecer e alertar as populações». A campanha, que começou na última sexta-feira e vai decorrer até meados de Setembro, consiste para já na colocação de cartazes pelo distrito, onde se podem ler “A Maternidade tem de ficar na Covilhã”, “Maternidade e Hospital de Qualidade em Castelo Branco”, “Urgências 24 horas no Hospital do Fundão”, “Serviços de Saúde de Qualidade na Sertã” e “Vila de Rei exige o novo centro de Saúde a funcionar”. A campanha “Nem Mentiras, Nem Desculpas!” vai incluir ainda acções de esclarecimento, distribuição de documentos, iniciativas parlamentares, sessões públicas e acções de rua, que ainda não estão agendadas. 16-07-2007 LC KA
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Dia Mundial da Desertificação e da Seca
A análise da AEE, feita com base em imagens obtidas pelo seu sistema de satélite e que destaca ainda a desertificação em Itália e na Turquia, insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD).
Segundo o projecto DesertWatch da AEE, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa, sendo crucial melhorar agora os modelos de análise, que começou a ser feita em 2004.
A AEE está actualmente a consolidar os métodos de análise, com um novo sistema de operações mais integrado que permitirá dados mais detalhados e assim, fornecer aos governos dados que permitam avançar com políticas de combate à desertificação.
Estimativas da AEE indicam que a desertificação, um processo de degradação da terra induzido parcialmente pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas de mais de 100 países.
Hoje em todo o mundo celebra-se o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global».
A comemoração coincide ainda com o arranque em Sevilha do Fórum Internacional da Seca que até quarta-feira reúne mais de centenas de especialistas de dezenas de países, entre eles Portugal. 17 Junho 2007
Fonte: Lusa/SOL
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Protesto em Arraiolos
| Protesto em Arraiolos Vigília contra encerramento de escola primária Alunos, pais e professores da Escola Primária de Vale Pereiro, no concelho de Arraiolos, distrito de Évora, realizaram esta manhã uma vigília à porta do Governo Civil de Évora. SIC |
| | Foi um protesto contra o encerramento, no próximo ano lectivo, de uma escola naquele concelho alentejano. Participaram na vigília à volta de 50 pessoas. Os representantes da população entregaram no Governo Civil de Évora, um documento no qual se apresentam os argumentos que contrariam o encerramento da escola situada numa freguesia rural. Mais quilómetros, maior desertificação Os pais dizem que os alunos terão de fazer mais quilómetros para frequentarem o ensino primário e que o fecho da escola é mais uma factor de desertificação da aldeia. A governadora civil comprometeu-se a fazer chegar o protesto à respectiva Direcção Regional de Educação. Sic online |
domingo, 8 de julho de 2007
PS é a favor do encerramento de escolas
PS é a favor do encerramento de escolas | |
| |
| |
05-Jul-2007 |
terça-feira, 3 de julho de 2007
Portalegre: PCP acusa governo de promover desertificação
As críticas foram feitas na sequência de uma visita do deputado comunista João Oliveira ao distrito de Portalegre, com passagem pelos concelhos de Avis e Ponte de Sor.
«Em vez de fazer investimentos nos serviços, o governo encerra escolas e serviços de saúde, não contribuindo em nada para corrigir as assimetrias regionais», criticou João Oliveira, defendendo que «o interior exigia outra resposta».
Acompanhado por dirigentes regionais do PCP, João Oliveira visitou várias instituições dos concelhos de Avis e Ponte de Sor e reuniu com sindicalistas, no âmbito da «actividade regular de contacto directo com as populações».
03-07-2007 16:49:46
Desertificação ameaça 50 milhões de pessoas, diz ONU
A formação de desertos representa uma "das maiores ameaças em matéria ambiental da nossa época," e poderá causar migrações em massa de pessoas das terras degradadas, adverte uma relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que será divulgado na quinta-feira. O relatório pede aos governos das regiões áridas que revisem os regulamentos sobre o uso das terras para deter a pecuária excessiva e as práticas insustentáveis.
"É urgente que sejam empreendidas políticas efetivas e práticas agropecuárias sustentáveis para reverter a degradação das terras secas," disse Hans van Ginkel, professor da Universidade das Nações Unidas, que produziu o relatório.
Se o problema não for resolvido, cerca de 50 milhões de pessoas poderão ser obrigadas a abandonar seus lares durante a próxima década, afirma o relatório, que foi elaborado por mais de 200 especialistas de 25 nações.
O relatório indica que 2 bilhões de pessoas, um terço da população mundial, poderão ser ameaçadas em alguma medida pelo processo de desertificação, que é definido como a degradação de territórios por causa de práticas humanas, como a agricultura e a pecuária. (AE) Reporter diário
Municípios: novo mapa judiciário pode aumentar desertificação
Num documento que será analisado hoje pelo conselho directivo da ANMP, a que a agência Lusa teve acesso, os autarcas afirmam que todos têm «direito ao acesso rápido e fácil a serviços de proximidade que reforcem a coesão territorial e o tecido social, seja qual for a parcela do país em que vivam».
Para a direcção da ANMP, a proposta de revisão do mapa judiciário constitui mais um factor determinante para a desertificação de zonas menos populosas do país«, considerando:»o que deve ser deslocado não é o povo, mas os agentes judiciais«.
Os municípios defendem a marcação de reuniões de trabalho com a Ordem dos Advogados, o Sindicato dos Magistrados Judiciais, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e o Sindicato dos Funcionários Judiciais.
Para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) será mais vantajoso um mapa judiciário assente nos actuais círculos judiciais do que a opção do Governo em reorganizar os tribunais com base na divisão territorial NUTS (Nomenclaturas de Unidade Territorial).
O estudo »A Construção do novo mapa dos tribunais - enraizamento, efectividade e mudança« -, elaborado pelo Gabinete de Estudos e Observatório dos Tribunais (GEOT), critica a proposta do Governo de conceber o novo mapa judiciário com base nas NUT.
A 17 de Maio, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou a proposta em posse do Governo para a reorganização do mapa judiciário e o encerramento de tribunais, por considerar que, a concretizar-se, prejudicará o interior do país.
No fim de um encontro com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, Jerónimo de Sousa destacou ter havido uma »identificação de preocupações« em relação à reorganização judiciária.
No final de Abril, o ministro da Justiça, Alberto Costa, afirmou que levará em consideração as sugestões da ASJP sobre a reforma do mapa judiciário e reafirmou que nada estava decidido em definitivo.
O bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, considerou uma opção correcta a reestruturação do mapa judiciário, mas alertou para a necessidade de boas soluções, sem afastar a justiça dos cidadãos.
A hipótese de cinco tribunais de primeira instância do Alentejo poderem fechar portas, sendo reconvertidos em casas da justiça, como avança um estudo técnico, suscitou críticas do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) e dos autarcas locais.
»É mais uma tentativa do Governo de, através de medidas economicistas, travar o acesso à justiça por parte dos cidadãos«, disse à agência Lusa em Abril António Castor, responsável pela delegação do SFJ no círculo judicial de Évora (desde Mação a Faro).
O novo mapa judiciário, que deverá entrar em vigor em 2008, tem causado reacções de vários quadrantes e no passado dia 03 de Abril, o PSD classificou como «uma total precipitação» o anúncio de que poderão ser encerrados 28 tribunais, salientando que a questão «é matéria de um pacto de justiça, celebrado entre o PS e o PSD».
O grupo parlamentar do PSD reagiu desta forma a um estudo elaborado por engenheiros da Universidade de Coimbra que propunha a transformação de 28 tribunais do interior com pouco movimento processual em casas da justiça.
«Este anúncio não corresponde a qualquer acordo entre os dois partidos, logo não corresponde a qualquer decisão», salientaram em comunicado os deputados do PSD.
No mesmo dia, o vereador social-democrata na Câmara de Vila Franca de Xira Rui Rei anunciou que ia solicitar esclarecimentos à presidente da autarquia e ao grupo parlamentar do PSD sobre o eventual encerramento dos tribunais de trabalho e de família e menores locais.
No dia seguinte, a Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) anunciou que iria entregar ao Governo um estudo que define um número limite de processos a distribuir a cada magistrado e que quer que seja tido em conta no novo mapa judiciário.
«Exigimos que o estudo da ASJP sobre contingentação processual seja tomado em consideração na elaboração do novo mapa judiciário. Não pode ser idealizada uma nova orgânica sem que este instrumento seja tido em conta», afirmou à Lusa o presidente da ASJP, António Martins.
A Câmara Municipal de Penela, por seu lado, divulgou uma »moção de discordância« em relação à proposta de revisão do mapa judiciário, que aponta para o fecho do tribunal local, considerando que acentua o «desequilíbrio territorial».
Também a Câmara de Pampilhosa da Serra se insurgiu contra o eventual encerramento do Tribunal Judicial da Comarca local, alegando que acentua a «desertificação e o despovoamento progressivo do interior».
«A perspectiva de encerramento do Tribunal Judicial da Comarca de Pampilhosa da Serra é uma medida que promove, antes de mais, a desertificação e o despovoamento progressivo do interior», sustenta a autarquia em comunicado assinado pela vereadora Alexandra Tomé.
Autarcas de Vouzela e Tabuaço criticaram, por sua vez, a possível reconversão dos tribunais das suas comarcas em casas da justiça, por temerem a criação de meras «tascas» ou «lojas» de justiça, que contribuam para aumentar a desertificação.
O secretário de Estado da Justiça, Conde Rodrigues, anunciou, também em Abril, que, no campo do direito de menores e no âmbito da reforma do mapa judiciário, haverá uma aposta na especialização de tribunais de família e menores em todo o país.
Os tribunais de família e menores do Funchal, na Madeira, e do Seixal, distrito de Setúbal, foram os mais produtivos em 2005, em contraponto com Lisboa e Porto, segundo dados de um estudo sobre a revisão do mapa judiciário.
A 30 de Março, o procurador-geral da República revelou que apresentou uma contraproposta ao Ministério da Justiça relativamente ao novo mapa judiciário, sem adiantar qual o seu conteúdo, nem o prazo para se encontrar uma versão final.
Naquele dia, em Peso da Régua, o secretário de Estado da Justiça revelava que o Governo tem na sua posse dois estudos técnicos, um do Observatório Permanente da Justiça e outro da Universidade de Coimbra, este último prevendo a existência de cinco distritos judiciais, um dos quais o do Algarve e 40 tribunais de circunscrição.
«Foi feito um primeiro estudo já apresentado em Janeiro. Agora temos um novo, que foi entregue esta semana, que vai ser sujeito a consulta e sugestões de diferentes entidades e só depois disso é que o Governo falará para apresentar o modelo que vier a ser escolhido», referiu.
A substituição das actuais 231 comarcas por circunscrições alargadas e a criação de cinco distritos judiciais coincidentes com as NUT são alterações previstas para o novo mapa judiciário.
O projecto governamental vai estar pronto em finais de Julho e a sua aprovação pela Assembleia da República deve ocorrer no início de Setembro.
Uma proposta de revisão do mapa judiciário entregue ao Ministério da Justiça prevê a existência de cinco distritos judiciais e 40 tribunais de circunscrição, cujas sedes foram determinadas com base na «acessibilidade» e na «hierarquia judicial/administrativa».
O estudo, a que a agência Lusa teve acesso em Março, foi elaborado por uma equipa do Departamento de Engenharia da Universidade de Coimbra, coordenada pelo professor António Pais Antunes.
A criação de um novo distrito judicial, o do Algarve, a instalação de um Tribunal da Relação em Faro e a substituição das 231 comarcas por 40 circunscrições constam desta proposta de revisão do mapa judiciário.
O estudo propõe a instalação de 40 tribunais de circunscrição com juízos de proximidade em 203 tribunais de comarca já existentes.
03-07-2007 7:15:00
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Não basta encerrar...
Não basta encerrar...
O reduzido número de alunos tem sido a razão invocada para o encerramento de cada vez mais escolas do 1.º ciclo. Em 2006, o ano lectivo arrancou deixando fechadas mais de um milhar de antigas escolas primárias, ao abrigo do que se chama programa de reordenamento da rede de escolas do primeiro ciclo do ensino básico. Quanto ao próximo ano lectivo, tudo indica que serão encerrados ainda mais escolas.É verdade que manter escolas com um, dois ou uma dúzia de alunos não é viável. Nem sequer, naturalmente, é aconselhável para o desenvolvimento do processo educativo dos pequenos educandos e para o seu sucesso escolar. Mas não basta encerrar, muito pelo contrário. É necessário que sejam asseguradas todas as condições aos jovens que são deslocados. É verdade que os alunos ficam a ganhar com o aumento do número de colegas e de vivências, mas deixam de ter a proximidade do apoio familiar. E são obrigados a madrugar para percorrer uns quantos quilómetros até chegarem aos bancos da escola.Por isso, é fundamental que este reordenamento da rede de escolas do primeiro ciclo seja aproveitado também para a requalificação da rede escolar. Ou seja, além das naturais preocupações com a vertente pedagógica, é fundamental garantir boas condições ao transporte escolar, bons refeitórios e até material escolar de apoio. Caso contrário, medidas deste género não conseguirão, por si só, inverter os níveis de insucesso e abandono escolar, já tão altos no nosso país.Ao mesmo tempo, é preciso continuar a investir na revitalização de localidades afectadas pela desertificação, onde agora até a escola primária fecha. Se no interior, e até em alguns locais do litoral, a desertificação já era preocupante, só condições muito atractivas conseguirão fixar novos casais em aldeias onde os filhos nem sequer têm escola. É que tal como o fecho de escolas, é preocupante a enorme desertificação das aldeias, a que muitos poderes continuam insensíveis. E onde as escolas, mesmo que estivessem de portas abertas, provavelmente continuariam sem alunos.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
"Invasão" estrangeira
O processo foi o mesmo: deixaram o país de origem para passar férias em Portugal. Da rota fazia parte um passeio por Oliveira do Hospital onde se deixaram ...
encantar pelas belezas naturais do local e, optaram por ficar. O pequeno grupo de estrangeiros aumentou e é hoje impossível avançar com números exactos. Centenas são certamente, milhares talvez. De entre eles, há até quem já evite vir à cidade para não se deparar com a "invasão".
No final do século passado, a tendência emigratória a que se assistia em Portugal sofreu um revés, passando o belo país à beira mar plantado a ser um destino para muitos estrangeiros em busca, de certo não de grandes fortunas, mas antes da tranquilidade que caracteriza as gentes lusas. E a prová-lo está a tendência natural de os milhares de estrangeiros que acorrem ao nosso país optarem por se instalar longe dos grandes centros urbanos, e bem perto das zonas ricas em paisagens naturais, que são vistas pela maioria como boas fontes de rendimento.
A livre circulação de pessoas e bens facilitou esta tendência e, hoje, se por um lado os jovens emigram, fruto do baixo poder de compra a que estão votados, por outro lado, muitos estrangeiros vêem Portugal, como um país com um grande potencial económico, ainda que – segundo alguns – mal aproveitado, o turismo. E, o concelho de Oliveira do Hospital não é excepção. Tem sido e, é cada vez mais, um local de destino para muitos holandeses, belgas e, mais recentemente, Ingleses.
De acordo com os censos de 2001, àquela data residiam no concelho 228 estrangeiros, um número que em nada coincide com os avançados por alguns cidadãos estrangeiros radicados em Oliveira do Hospital.
Tratando-se de uma comunidade estrangeira que comunica entre si, ninguém melhor do que os próprios estrangeiros para avançar dados sobre a sua incidência no concelho. No entanto dada a disparidade de gente que acorreu a Oliveira do Hospital, eles próprios têm dificuldade em se contabilizar. Fala-se de centenas de belgas, outros tantos holandeses, alguns ingleses, mas, fica por saber ao certo quantas famílias por cá moram. É que, nalguns casos, estrangeiros já se confundem com portugueses dada a socialização que já existe entre ambas as culturas.
Joost Descheemaeker fixou-se em Meruge ainda na década de 90. Casado, mas com apenas 27 anos de idade, percebeu que era em Oliveira do Hospital que queria dar continuidade à sua vida. Um local que conhecia apenas de visita, tornou-se num espaço onde acabou por ver nascer os dois filhos e criou o próprio negócio, um parque de campismo para motards, a Toca da Raposa. Volvidos 11 anos, os filhos andam na escola, o negócio corre bem e os amigos de Joost são portugueses e não estrangeiros.
"Estou cada vez mais envolvido", disse ao Correio da Beira Serra, num português perfeitamente falado, o jovem que em tempos largara o laboratório de análises alimentares para apostar no turismo em Portugal. É que, segundo disse, a vida na Bélgica era muito stressante, chegando a comparar o modo de vida das pessoas com "sardinhas enlatadas". Embora, perfeitamente ligado a uma população que classifica de "muito hospitaleira", Joost tem noção de que "uma coisa é viver e outra é passar férias". Empresário na área do turismo, juntamente com a esposa, Joost sente as dificuldades que a deficiente promoção local tem provocado no sector.
Aldeia da Luz Cinco anos de solidão e revolta
de um carro de mercadorias junto à única mercearia do Largo 25 de Abril e as
sonoras batidas do relógio da Igreja do Sagrado Coração. Ao aperceber-se da
presença de forasteiros, um morador que atravessa o largo para se sentar
debaixo da única sombra lança uma resposta curta e sentida que esclarece
todas as dúvidas: "Nestes últimos anos o Alqueva só nos deu desgostos."
Luz, devido ao enchimento da albufeira do Alqueva, a tristeza continua
vincada nos rostos dos luzenses que viram naquela altura a água do maior
lago artificial da Europa afundar, para sempre, a sua identidade. "A nossa
história, a nossa cultura, a nossa vida, ficaram debaixo de água, a dez
metros de profundidade, e nunca mais virá à tona", frisa um dos moradores
que se encontra no café Central, estabelecimento que agora pertence à última
família a abandonar a aldeia, em Fevereiro de 2003.
Jerónimo Godinho, um reformado de 71 anos, ouve atentamente a conversa entre
o CM e os três homens que petiscam e bebem cervejas ao balcão. Não aguenta
dois minutos sem marcar a sua presença com uma opinião sobre o presente e
futuro da povoação. "É uma aldeia que não é de ninguém e está ao abandono,
isolada de tudo. Fomos enganados com promessas e assim que nos apanharam
aqui fizeram-se de esquecidos."
Mas o povo da Luz não carrega apenas mágoas. Transmite também revolta por
não ter as oportunidades de emprego apregoadas há cinco anos pelo Governo. E
angústia por não conseguirem inverter a tendência de declínio económico e
social da aldeia provocado pela fuga dos mais novos para outras regiões de
Portugal e para o estrangeiro à procura de uma vida melhor.
A família Ramalho - que em Junho de 2002 foi notícia no CM por ter sido a
primeira de 200 a fazer a mudança para a nova aldeia devido aos riscos de
libertação de gases que a trasladação do cemitério poderia causar à saúde do
filho mais novo, submetido meses antes a um transplante de medula -, é um
bom exemplo das dificuldades por que passa a população local. Manuel Ramalho
esteve mais de ano e meio desempregado. Tudo porque as pedreiras de xisto do
concelho, que forneciam matéria-prima para a fábrica de transformação de
rochas ornamentais onde trabalhava, foram submersas. "Com o enchimento do
Alqueva foi-se a fábrica da Portucel e as pedreiras de xisto. Gerou-se, em
poucos meses, uma crise económica na região devido às centenas de pessoas
que ficaram sem os seus postos de trabalho. Depois disso, estive quase dois
anos desempregado. Foi um período muito complicado e pensei em emigrar",
refere este cantoneiro de 42 anos, que agora trabalha a contrato numa
fábrica de transformação de mármores em Reguengos de Monsaraz.
Tal como os outros luzenses da sua geração ou mais novos, este homem, casado
e pai de dois rapazes de 9 e 13 anos, ainda pensou que o Alqueva seria uma
bóia de salvação. Todos tinham esperança de que surgissem investimentos nos
sectores do turismo e agrícola geradores de dezenas de postos de trabalho.
Mas estava enganado. "O que trouxe foi frustração e desespero. A agricultura
ficou na mesma e o turismo nem vê-lo. Sem emprego as pessoas saíram da Luz
para outras paragens", diz, lembrando que aquando da construção da nova
localidade foi prometida a construção de uma marina e parque de merendas.
Sinal da debandada é o número de casas fechadas na aldeia, que chegam a ser
metade do total na rua de Manuel Ramalho. Algumas habitações com três ou
quatro assoalhadas estão à venda por preços que rondam os 100 mil euros.
Outras já têm novo proprietário. "São pessoas do litoral que querem uma casa
para férias", explica o luzense.
ABANDONO
Em 1999, ano em que se iniciou a construção da nova aldeia da Luz, viviam na
freguesia cerca de 400 pessoas. Hoje, segundo os números da junta, residem
apenas 360. "Ainda vai abalar mais gente porque não há perspectivas de
emprego. Nem aqui, nem em todo o concelho de Mourão. Isto é uma miséria",
considera o presidente da Junta de Freguesia da Luz, Francisco Oliveira.
Nos últimos anos a freguesia viu sair oito famílias. Foram quase todos morar
para Reguengos de Monsaraz, a cidade mais próxima da aldeia. "Os jovens
estão a abalar. Muitos ainda aguentaram uns tempos para ver se conseguiam
construir uma casa nos 14 lotes destinados a moradias, que só agora foram
desbloqueados para venda em hasta pública", frisa o autarca. A saída dessas
pessoas, quase todas jovens, está a criar outro problema na freguesia, já
afectada pela falta de médico de família. "No ano lectivo de 2007/08 estamos
na iminência de fechar a escola que tem 12 alunos do 1.º ciclo e o
jardim-de-infância, com seis."
Contactada pelo CM, a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de
Alqueva (EDIA) diz que o Plano de Ordenamento das Albufeiras de Alqueva e de
Pedrógão cria as áreas e define as regras para o desenvolvimento das
diversas actividades, incluindo a turística. "Cabe à iniciativa privada o
desenvolvimento de projectos. A EDIA não prometeu nenhum dos equipamentos
citados [marina e parque de merendas]", referiu a empresa em comunicado.
REGRESSO
Mas na Luz também há quem regresse definitivamente após décadas de trabalho
nos arredores da capital, principal destino dos luzenses nas últimas quatro
décadas. Joaquim Vitória, cuja família foi a última a abandonar a velha
aldeia, entrou para a reserva da Marinha, onde era sargento-ajudante. Aos 53
anos, deixou o Barreiro para começar uma nova vida na terra da sua mulher,
atrás do balcão do café Central. "Já lá vão sete meses. O amigo que aqui
estava decidiu emigrar e fiquei com o café para estar ocupado."
Também no Largo 25 de Abril, Adelina Carrilho, 50 anos, está à porta da sua
mercearia. "Só há trabalho temporário na agricultura durante quatro ou cinco
meses num ano. As mulheres estão mais em casa. Os homens passam o tempo nos
cafés." Apesar de tudo, tem esperança num futuro melhor e acredita que um
dia "haverá alguém que irá investir na aldeia e criar emprego".
"SENTIMO-NOS DESPEJADOS DESTE LUGAR"
Francisco Oliveira, presidente da Junta de Freguesia da Luz, quase abandonou
o cargo por se sentir impotente para resolver os problemas.
Correio da Manhã - Como vê esta aldeia cinco anos depois?
Francisco Oliveira - Está pior em todos os aspectos. Os compromissos que
fizeram connosco não foram cumpridos e as pessoas estão saturadas de uma
vida instável e angustiadas por não conhecerem o futuro. Sentimo-nos
despejados neste lugar.
- Quais eram esses compromissos?
- Desde a construção do centro artesanal, passando pela marina, adega, posto
de recolha de azeitona e parque de merendas. Nunca mais ninguém ligou à
aldeia. Dentro da povoação há ruas em estado lastimável e ninguém sabe se é
a EDIA ou a Câmara de Mourão que têm responsabilidade por estas situações.
- O que fez para resolver os problemas?
- Estou farto de mendigar, mas como esta é uma freguesia sem lei, a junta
não tem competências para poder actuar no planeamento. Sinto-me impotente
para resolver os problemas. Em 2005, fui ameaçado numa reunião na Câmara de
que pagaria 250 mil euros se mexesse no Largo 25 de Abril. Queria apenas pôr
umas árvores e uns bancos para os velhotes se sentarem. Na altura estive
para fechar a porta da Junta, mas senti que ao fazê-lo estava a ser cobarde
para a população, que não tem culpa das maldades que os governos fizeram à
aldeia.
- O turismo é uma realidade ou uma 'miragem'?
- O Alqueva não deu nada à aldeia, só tirou. Com o consentimento de alguém,
a albufeira matou todo o concelho de Mourão. O que é que nós temos para
oferecer? Nada. Até já fecharam dois cafés porque não há gente para eles. Os
turistas vêm à aldeia para visitar o museu e fazer chichi.
JOVENS DA LUZ 'FOGEM' PARA REGUENGOS
Dulce Mendonça, 24 anos, vai seguir o exemplo de oito jovens famílias que
abandonaram a aldeia da Luz. Depois de casar, a 25 de Agosto, o futuro lar
será em Reguengos de Monsaraz, cidade onde trabalha numa pastelaria. "É
triste mas tem que ser assim. Esperámos muito tempo pelos terrenos na aldeia
da Luz mas como nunca foram disponibilizados decidimos comprar um
apartamento T2 em Reguengos", conta. Dulce sente que os jovens estão a ser
"empurrados para fora da aldeia" devido à falta de trabalho. "Nós vamos
saindo e ficam só cá os velhotes. Se estivesse na velha aldeia ficava com
mais saudades porque foi lá que vivi a minha juventude", remata.
ALQUEVA REGA 400 HECTARES
Os agricultores da aldeia da Luz foram os primeiros no Alentejo a beneficiar
da água da albufeira do Alqueva. O perímetro de rega abrange, actualmente,
330 hectares de olival, 82 de vinha e 10 de ferragial e hortícolas.
José Guerreiro, 49 anos, tem dedicado a sua vida à agricultura. Na velha
aldeia tinha uma exploração pecuária. Agora explora seis hectares de olival
junto à nova aldeia. "Com o meu pai e o meu irmão tratávamos mais de uma
centena de porcos brancos", lembra, enquanto crava a enxada na terra dura
para colocar a protecção para mais uma pequena oliveira.
Com a inundação dos terrenos pela albufeira de Alqueva, a EDIA entregou a
esta família uma área igual junto à nova povoação. "Ficámos com os mesmos 30
hectares. Seis são de olival e os outros 24 estão ainda por cultivar, mas de
certeza que não serão para pecuária. Trabalhar no olival é mais limpo e dá
menos despesas", diz.
José Guerreiro espera agora pelo próximo ano para começar a colher azeitona
do novo olival. "Vou entregá-la na Cooperativa de Mourão", adianta.
HABITANTES DA ALDEIA SEPARADOS POR 96 ANOS
Leonor completa hoje três meses de vida. É a habitante mais nova da aldeia e
vive com os pais numa casa emprestada pelo avô paterno. "Nasceu no Hospital
de Évora. Agora está sozinha comigo porque o pai anda a trabalhar com uma
máquina em Espanha", diz a mãe, Márcia Guerra, 23 anos. O futuro da pequena
Leonor ainda é incerto. A mãe quer continuar a viver na Luz, mas a falta de
trabalho é um entrave ao sonho. "Gostava de trabalhar aqui, mas é muito
difícil porque não há ninguém que invista. Estou também à espera dos
terrenos para construir uma casa na aldeia", refere. A poucos metros da casa
de Leonor, o habitante mais velho da localidade, Manuel Rosa, 96 anos, está
a acabar a refeição no centro de dia. Viúvo desde 1995, Manuel é dos poucos
habitantes a elogiar a aldeia. "A minha casa era velha e não tinha dinheiro
para a arranjar. Deram-me uma nova e já disse que me saiu a sorte grande",
frisou. Manuel da Rosa, que sempre viveu na Luz, diz que aquando da
demolição da velha aldeia a sua "alma ficou mais pobre" mas nunca sentiu
saudade nem dor. "A única coisa que me ficou a doer foram as pernas. De
cabeça estou bom, mas custa a andar", diz, soltando uma gargalhada.
PORMENORES
DEGRADAÇÃO
A população da Luz nunca esteve satisfeita com a qualidade de construção das
novas casas. Fendas nas paredes e azulejos, esgotos estragados, e humidade
são alguns dos problemas detectados. Nestes cinco anos a EDIA tem vindo a
realizar um "diagnóstico" das patologias das construções que "será entregue
ao empreiteiro" para reparação.
MUSEU
O Museu da Luz, inaugurado em Novembro de 2003, mostra nas suas três salas
decoradas a xisto o espólio etnográfico, arqueológico e cultural das gentes
da Luz. Este espaço de memórias contou no primeiro ano com quase duas mil
visitas mensais. Actualmente, o número médio de visitas mensais é de 1100
pessoas.
TRAVESSIA A NADO
As águas da albufeira do Alqueva, entre as margens da aldeia da Luz,
concelho de Mourão, e de Campinho, Reguengos de Monsaraz, vão contar amanhã
com diversas provas de natação. Destaca-se a travessia a nado entre duas
povoações, num total de dois quilómetros. As provas contam com centenas de
participantes de todas as idades. CM
Alexandre M. Silva
quarta-feira, 20 de junho de 2007
“Interior sustenta crescimento espanhol”
“Interior sustenta crescimento espanhol”
O secretário-geral do PCP defende a redução do IVA para aumentar a competitividade das empresas portuguesas face à concorrência espanhola, considerando que, na situação actual, os portugueses, sobretudo do Interior raiano, estão "a sustentar o crescimento económico espanhol"
Novos incentivos para combater desertificação do Interior
Novos incentivos para combater desertificação do Interior
Quarta-Feira, 20 de Junho de 2007
A partir de Julho, anuncia ministro da AgriculturaAs medidas enquadram-se no Plano de Desenvolvimento Rural, o instrumento do Governo para o sector agrícola, a aplicar no último Quadro Comunitário de Apoio, de 2007 a 2013
O Governo vai atribuir novos incentivos para o combate à desertificação do Interior a partir de Julho, enquadrados no novo Plano de Desenvolvimento Rural, anunciou o ministro da Agricultura. Jaime Silva falava ontem à margem da cerimónia de assinatura do protocolo para fornecimento de equipamento de combate a incêndios florestais às juntas de freguesia, que decorreu no Ministério da Administração Interna, em Lisboa. O Plano de Desenvolvimento Rural é o instrumento do Governo para o sector agrícola a aplicar o último Quadro Comunitário de Apoio, de 2007 a 2013. Apesar de ainda não ter especificado quais serão os novos incentivos de fixação de pessoas no Interior rural, Jaime Silva declarou que os apoios financeiros serão divulgados a partir de Julho. FIM AO ABANDONO DE TERRASAs novas medidas visam "defender a importância social da propriedade privada" e ao mesmo tempo "levar os proprietários a tratar, arrendar ou mesmo a vender [as propriedades]" admitindo a aplicação de "penalizações a quem abandone as terras", disse o ministro. Jaime Silva lembrou que os "sucessivos governos apoiaram mais de 110 mil hectares para o regadio" dos quais hoje "metade estão ao abandono". "Isto não pode continuar a acontecer", considerou. Diário XXI
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Portugal entre os três mais desertificados da Europa
Portugal é um dos três países mais desertificados da Europa segundo as últimas análises realizadas pela Agência Espacial Europeia e pela Desert Watch, tornadas públicas por ocasião da comemoração hoje do Dia Mundial da Luta Contra a Desertificação. A análise da AEE, feita com base em imagens obtidas pelo seu sistema de satélite e que destaca ainda a desertificação em Itália e na Turquia, insere-se num projecto que está a ser desenvolvido em conjunto com a Convenção das Nações Unidas para a Luta contra a Desertificação (UNCCD). Segundo o projecto DesertWatch da AEE, o nível de desertificação nos três países - Portugal, Itália e Turquia - é dos mais elevados da Europa, sendo crucial melhorar agora os modelos de análise, que começou a ser feita em 2004.
A AEE está actualmente a consolidar os métodos de análise, com um novo sistema de operações mais integrado que permitirá dados mais detalhados e assim, fornecer aos governos dados que permitam avançar com políticas de combate à desertificação. Estimativas da AEE indicam que a desertificação, um processo de degradação da terra induzido parcialmente pela actividade humana, põe em risco a saúde e o bem-estar de mais de 1.200 milhões de pessoas de mais de 100 países. Hoje em todo o mundo celebra-se o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema "Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global". A comemoração coincide ainda com o arranque em Sevilha do Fórum Internacional da Seca que até quarta-feira reúne mais de centenas de especialistas de dezenas de países, entre eles Portugal.
17-06-2007 Kaminhos
Lusa
quarta-feira, 13 de junho de 2007
À procura do interior esquecido
A Câmara Municipal do Sabugal está a promover caminhadas mensais para divulgar o património da região e chamar a atenção para "o interior esquecido" e para alguns problemas do concelho. Segundo o vereador António Robalo, a primeira caminhada realizou-se a 22 de Abril entre as localidades de Vilar Maior e Alfaiates, a 13 de Maio, no trajecto Malcata - Vale de Espinho, levou os participantes "pelos trilhos do lince ibérico". As "Caminhadas pelo Interior" devem estender-se pelos próximos meses, uma vez que, segundo o vereador, o concelho do Sabugal "tem um património imenso que queremos divulgar e rentabilizar".
Com este projecto, denominado "Caminhadas pelo Interior", a Câmara Municipal do Sabugal pretende divulgar mensalmente "os tesouros do interior cada vez mais esquecido" e também chamar a atenção para situações que merecem uma "atenção especial" por parte do poder central. Com a caminhada do dia 13, segundo o autarca, pretendeu-se "divulgar o património natural do concelho e ’iluminar’ determinadas mentes no sentido de colocarem o património natural concelhio ao serviço das populações". "O nosso objectivo é alertar para a necessidade de haver uma nova atitude por parte de quem coordena a Reserva Natural da Malcata e a Rede Natura, que são importantes para a região mas devem ser colocadas ao serviço da população em vez de servirem de entrave ao desenvolvimento", referiu. António Robalo apontou que, para "qualquer tipo de intervenção" na área daquela zona protegida, "é necessário pedir pareces ao ICN - Instituto de Conservação da Natureza", defendendo que o processo deveria ser "mais célere e agilizado". A proposta de dia 13 destinou-se "a todos os que os gostam de desfrutar a natureza, beber o silêncio, alimentar a alma e encher os pulmões do puro ar raiano", adiantou. Sobre o passeio, a organização refere que "as encostas da serra [da Malcata] estão pintadas com as cores da vegetação mediterrânica com carvalhos, pinheiros, eucaliptos, aveleiras, cerejeiras-bravas, carquejas e castanheiros centenários envolvidos pelo azinhal e pelas estevas". Na iniciativa participaram os elementos do executivo municipal do Sabugal, presidido pelo social-democrata Manuel Rito, que desta forma pretendem "dar o exemplo ao resto da população", adiantou o vereador António Robalo. A primeira caminhada contou com a participação de cerca de 50 pessoas e na próxima a autarquia espera juntar "entre 100 a 200".
10-05-2007 Kaminhos
ASR
Lusa
Um pais que esqueceu o interior
Gostaria de ter uma visão de se os que ainda restam neste interior esquecido, do dia para noite se mudassem para o litoral ou mesmo para a nossa capital qual seriam os resultados…
A fruta desta época da Cova da Beira, como o pêssego, a nectarina e ainda algumas cerejas, vai ser distribuída aos passageiros do Intercidades da Linha da Beira Baixa, entre a Covilhã e Lisboa (e vice-versa).
Passeios em barca pelo Rio Zêzere, aprender a tecer linho ou recolher mel de colmeias em casas temáticas, são algumas das actividades propostas para a Semana Cultural das Terras do Xisto, hoje apresentada no Fundão.