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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Agricultores voltam a usar a força animal

JN 2008-05-26
Animais estão de regresso à agricultura portuguesa Muitos agricultores de Trás-os-Montes estão a pôr de parte o recurso as máquinas, devido ao aumento constante do preço do gasóleo agrícola, e a ponderar o regresso ao uso de animais. Desde o ano passado que o combustível verde sofreu aumentos de 70 cêntimos para um euro, "numa proporção duas vezes superior aos aumentos do gasóleo normal", adiantou, ao JN, Abreu Lima, vice-presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP). As subidas constantes aumentam o custo de produção. Actualmente, a maior parte da agricultura já é mecanizada, mas os velhos tempos da utilização de animais, como o burro ou o boi, podem regressar. Abreu Lima considera os "aumentos brutais". Os agricultores concordam. Luís Manuel, de Vimioso, pondera recorrer mais aos dois burros que os pais possuem nos trabalhos agrícolas, devido ao preço do gasóleo. O agricultor costumava fazer trabalhos agrícolas com o tractor para fora, mas deixou de o fazer porque já não é rentável. "Há menos de dois anos atestava o depósito de 50 litros com 12 euros, agora gasto 30 euros", contabiliza. Batatas para o lixo Feitas as contas, um burro ou um boi poderá dar menos despesas, uma vez que são alimentados com produção fabricada pelos proprietários, além de que algumas espécies, como o burro Mirandês, tem direito a subsídio à produção. João Preto, agricultor em Angueira, Vimioso, diz que actualmente a agricultura dá prejuízo. "Mais vale não fazer nada", desabafa. Só este ano, o agricultor desfez-se de três toneladas de batata que não conseguiu escoar. "Não vale a pena o que gastei para produzir", referiu. Os que vivem junto à fronteira acabam por ir a Espanha abastecer, minimizando, assim, os gastos. Estes aumentos estão a criar situações de "enorme gravidade e imensa preocupação para os agricultores", sustenta, por seu turno, o responsável pela Confederação dos Agricultores Portugueses. "A maior parte dos agricultores da região tem idade avançada e não consegue uma agricultura competitiva, o que poderá piorar se a mecanização diminuir, acrescenta. São, de resto, cada vez mais os agricultores da região que estão a abandonar as máquinas, nomeadamente o tractor, e a recorrer aos animais, uma situação que o próprio Abreu Lima diz estar a presenciar. "Somos desafiados para ter competitividade, mas não nos criam as condições necessárias para isso", lamentou, ontem, no Dia do Agricultor, uma iniciativa que decorreu em Macedo de Cavaleiros.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Beira Interior aposta no valor acrescentado do azeite biológico

Associação de produtores quer investir 126 milhões de euros para pôr dez mil hectares a produzir a tradicional variedade Galega16,6por cento da área agrícola dos 24 concelhos da Beira Interior é dedicada ao olival, que ocupa 64 mil hectares.
1,9hectares é a superfície média das 27.679 explorações contabilizadas na região, valor que está abaixo dos 2,05 hectares por exploração da média nacional.
0,59toneladas de azeite por hectare é a produtividade média na Beira Interior, abaixo da média, também ela baixa, de 0,83 ton/ha registada em Portugal. Ainda assim, a região é a terceira maior produtora, numa lista liderada pelo Alentejo e na qual Trás-os-Montes ocupa o segundo lugar.
Pùblico

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

"Biocombustível é "crime contra a Humanidade"

O perito das Nações Unidas Jean Ziegler pediu a uma comissão da Assembleia Geral da ONU uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis, para permitir desenvolver novas tecnologias e estabilizar os preços dos alimentos. Num só ano, o custo do trigo duplicou e o de milho quadruplicou, devido ao crescente interesse nos biocombustíveis, considerados boa alternativa ao petróleo. Mas, para o sociólogo suíço, estes produtos são "um crime contra a Humanidade". Jean Ziegler apresentou anteontem o seu relatório e aprofundou algumas das conclusões que anunciara há duas semanas, numa controversa conferência de Imprensa, em Genebra. Segundo diz o perito da ONU, os biocombustíveis estão a provocar o aumento vertiginoso no preço dos alimentos, com potenciais efeitos catastróficos nos países em desenvolvimento, sobretudo nas camadas mais pobres da população. Uma em cada seis pessoas passa fome, ou seja, um total de 854 milhões. O flagelo atinge as crianças de forma desproporcionada. Segundo a ONU, o planeta produz alimentos suficientes para alimentar 12 mil milhões de seres humanos, quase o dobro da população mundial. Mesmo assim, o número de pessoas severamente mal nutridas subiu, nos últimos 30 anos, de 80 milhões para 200 milhões. Em cada dia que passa, morrem de fome, ou das suas consequências directas, 100 mil pessoas. Por outro lado, a ciência está a evoluir depressa no campo dos biocombustíveis, acrescentou Ziegler e, "em apenas cinco anos, será possível produzir bioetanol e biodiesel a partir de restos agrícolas". O perito referia-se às partes celulósicas das plantas, hoje inúteis, em vez de milho, trigo e cana de açúcar. Os cientistas também estão a estudar alternativas, como o de um arbusto, Jatropha Curcas, que cresce em zonas áridas, impróprias para a agricultura. A argumentação do perito da ONU centra-se na questão da alimentação, mas é também controversa a ideia de que há cortes substanciais de emissões de gases de efeito de estufa no uso de biocombustíveis na gasolina. Alguns cientistas dizem que a fase de produção anula esses ganhos. Com a apresentação oficial do relatório, o debate chega, enfim, ao mais alto nível político, após os mesmos argumentos terem sido sublinhados pelo regime cubano, mas também pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Um exemplo adiantado por Ziegler é o do milho, um dos alimentos menos eficientes nos biocombustíveis. São precisos 250 quilos de milho para produzir apenas 50 litros de bioetanol. Aquela quantidade permitiria alimentar uma criança durante um ano inteiro. LUÍS NAVES
Onde é que vamos parar, por este andar acho que todos os cantinhos de terreno pelo interior e não só ainda vão voltar a dar centeio....